Posted by: Felipe | Maio 1, 2008

Direito? Liberdade?

Repetidas vezes sentira nostalgias do homem que poderia ter sido: espontâneo, gregário, extrovertido, engagé. Vinham-lhe de quando em quando impulsos de misturar-se com os outros; confundir-se no grupo, pertencer a alguma coisa ou a alguém. Eram, porem, sentimentos débeis que desapareciam ante o seu horror a compromissos definidos que pudessem redundar numa perda de liberdade. Falava-se com freqüência na tirania das ditaduras policias, mas nunca suficientemente na tirania da comunidade chamada democrática que nos exige um padrão determinado e rígido de comportamento, palavras, gestos e até sentimentos certos na hora apropriada, e mais o uso de formulas consagradas: uma espécie de burocratização pragmática da hipocrisia.
Mas afinal de contas – perguntara a si mesmo varias vezes – para que desejava ser livre? Ora… Para mover-se… ou ficar imóvel, de acordo com seus interesses, desejos e caprichos. Para fazer o que bem entendesse… ou para não fazer nada. Sim, e principalmente ter direito aos seus silêncios.

O tempo e o vento
Erico Verissimo

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